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A Hora e Vez de Augusto Matraga – Resenha e Análise da Obra







O conto ‘A Hora e Vez de Augusto Matraga’ do livro Sagarana, escrito por João Guimarães Rosa é uma das leituras obrigatórias da Unicamp e é considerado um dos melhores escritos do autor.

Confira hoje no Blog Not1 Resenha e Análise completa de A Hora e Vez de Augusto Matraga’, além de trechos marcantes e muito importantes para compreensão da obra!

"Para o céu eu vou, nem que seja a porrete!"

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Resenha e Análise da Obra:

Antes de começar a análise do conto em questão, vamos relembrar o movimento Regionalista da Literatura Brasileira.

Movimento este que teve 3 fases: a primeira fase foi o romantismo, com personagens e histórias idealizadas. A segunda fase foi no século XX, com obras como Capitães de Areia e Vidas Secas, um regionalismo mais político. E por fim a terceira fase, onde ‘A hora e vez de Augusto Matraga’ se encaixa, em meados de 1946

Guimarães Rosa é um autor caracterizado por seu estilo único e regionalista. Todas suas histórias se passam no sertão, em uma Minas Mítica (Minas Gerais, pedaço da Baía e até Goiás). Os personagens de suas estórias são sertanejos e o autor se utiliza da linguagem popular.

Pega a maneira do mineiro falar (musicalidade, expressões) e reproduz de uma maneira própria, brincando com as palavras.

Os temas mais usados pelo autor é o Mítico, ou seja, uma narrativa simbólica que precisa ser interpretada. O autor falar de questões místicas e metafísicas. Escreve textos que não são claros nem óbvios.  É uma prosa poética.

*Rapsódia: o autor não faz a cópia de uma linguagem. Na verdade, ele usa aquilo como um esqueleto e em cima dessa base ele cria uma outra linguagem, onde terá sonoridade, metáforas, neologismos…. Por fim, ele cria uma língua em seus textos, mas que é português.

Rapsódia são histórias. A colagem de histórias do povo, como a Ilíada e a Odisseia.  Isso é uma rapsódia, o que ocorre em Sagarana. É por isso que surge no meio do conto provérbios e cantigas populares.

Enfim, agora vamos falar sobre o livro em si e suas peculiaridades. O livro pode ser dividido em 3 partes, aliás, esse número aparece muitas vezes na análise do conto.

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Para começar a personagem principal tem o nome original de Augusto Esteves, filho de um coronel. 

Primeira Parte: Nhô Augusto é retratado como um bandido desregrado. Um homem que por conta de sua ‘importância’ despreza capiau (caipira), família, capangas…

Mas logo no começo do livro vemos que ele está passando por problemas de dinheiro e na família, e é quando o jogo de Augusto vira – sua esposa e filha o abandonam, seus capangas o abandonam e ele se torna vítima de uma emboscada.

Ao descobrir que foi traído, decide ir atrás de seu maior rival, outro coronel, mas é pego em uma emboscada e sofre linchamento. Recebe uma marca de ferro (um círculo, com um triângulo dentro) e dá um salto. Como?

Ele é espancado, depois recebe a marca dos bois desse coronel, que segundo os estudiosos, pode ser comparada a uma marca divina, em um momento de humilhação. A Marca de Matraga. Que segundo o cristianismo, o momento de elevação vem na sua humilhação. Depois de tudo isso, ele não morre, consegue se soltar e salta de um despenhadeiro.

Onde por um milagre sobrevive e é salvo por um casal de negros humildes. O Casal trata de Augusto, que quando começa a se recuperar, vem os momentos de questionamentos…  Por que eu sobrevivi? Deus deve ter planos para mim. Momento de arrependimento.

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Segunda Parte: Augusto se muda para Tombador, um sítio que tinha o interior, único bem que lhe restava. O casal de negros, agora tidos como pais de Augusto, vão junto. E de homem guerreiro e desregrado, vira santo.

Só trabalha e martiriza seu corpo. Trabalha por 3 homens e sente-se bem com essa regeneração.

Mas as tentações surgem… Tião da Thereza, um conhecido seu, por acaso surge na vila, e lhe traz notícias que ninguém pediu (sua esposa se casou, sua filha foi desonrada e abandonada, Quim – seu fiel mensageiro – morreu defendendo Augusto, suas terras foram dominadas…). Mas mesmo assim Augusto não se revolta.

Outra tentação é quando Joãozinho Bem-Bem, um dos mais conhecidos justiceiros, se simpatiza com Augusto. Os dois tornam-se amigos e Joãozinho lhe pergunta: Há alguém que você não goste, um inimigo? Podemos dar um jeito! Mas Augusto diz que não e os dois se despedem.

Terceira Parte: A terceira parte é a redenção. Quando Augusto migra. No início do livro só se fala em pó, poeira e terra seca. Mas nessa parte do livro Chove, o que os estudiosos dizem que simula o batismo cristão.

Augusto está se preparando para uma grande missão. Ele sente que chegou sua hora e parte…. Monta em um jumento (animal símbolo sagrado) e parte sem rumo nenhum.

Chega a Rala-Coco. Reencontra os cangaceiros. Joãozinho Bem-Bem faz uma proposta –  que Augusto entre para o bando e pegue as armas de um dos irmãos, que morreu em uma emboscada. Mais uma vez Augusto nega.

Porém, como dito, um dos integrantes do grupo morreu, e Joãozinho Bem-Bem veio fazer justiça, como o assassino fugiu, um dos irmãos da família haveria de morrer.

Augusto tenta apaziguar a briga e pela primeira vez alguém ‘insulta’ Bem-Bem. Depois disso começa um tiroteio. Mas ambos lutam em tom amistoso.

No fim está só Augusto e Joãozinho bem-Bem. Augusto mata seu colega Bem-Bem, que não fica ressentido e se sente honrado de morrer nas mãos de um homem como seu amigo.

Augusto ficou muito ferido, e morreu na luta também. Mas cumpriu sua missão. Salvou uma família e se transformou em Santo Guerreiro. Transformou seu mal para o bem.

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