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Conto ‘Amor’ de Clarice Lispector – Resumo e Análise da Obra







O conto ‘Amor’ do livro Laços de Família, escrito pela grande Clarice Lispector, é uma das leituras obrigatórias da Unicamp e é considerado um dos melhores e mais profundos contos da autora.

Confira hoje no Blog Not1 Resenha e Análise completa de ‘Amor’, além de trechos marcantes e muito importantes para compreensão da obra!

“O mal já estava feito…”

Capa De Socrates aos neo

 

Clarice Lispector: A grande dama da literatura brasileira. Vejamos umas características de suas obras:

*Literatura Introspectiva: narrativa que vai olhar para dentro das personagens. A maioria das histórias não dá um enfoque no exterior, no universo externo, e sim o universo interior.

*Enfoque psicológico: mergulhar na mente da personagem. O nosso pensamento não é todo racional, é em sua maioria um conjunto de ideias, sensações, delírios…. Algo extremamente complexo.

*Fluxo de consciência: marca de seus textos – Caóticos. Desencadeamento de ideias, sem nada racional, igual ao pensamento humano. Esse elemento é o que conduz a trama.

*No conto ‘Amor’ encontramos o discurso indireto livre.

Clarice Lispector se utiliza da lógica supra-real, que vai além do mundo convencional, burguês, tradicional. Apesar das frases simples, lógicas e racionais, o sentido é sempre mais profundo = encontramos metáforas insólitas (estranhas). Que vão utilizar o Paradoxo, a quebra da lógica comum. A busca pela suprarreal. Clarice e suas personagens procuram a desestabilização!

Século XX (1940) = a autora segue a linha ‘literatura existencialista’. Suas obras se baseiam na sequência:

  • Cotidiano Banal.
  • O inusitado (ocorre algo realmente inusitado, ou algo simples que a personagem considera insólito).
  • Epifania (grande revelação).
  • Reavaliação existencial (reavaliação da vida).
  • O intuitivo (nível intuitivo, não racional).

CLARICE-LISPECTOR

O conto ‘Amor’

Ana é uma dona de casa (ela escolheu ser dona de casa). Acomodada no seu papel social. Ana se entope de tarefas domésticas, tem neurose por limpeza…  Mas porquê? Porque viver, viver mesmo, intensamente, é perigoso.

Ela matou sua energia de vida. Ela diz que a hora mais perigosa do dia é a tarde: quando ninguém mais precisa dela. Ela fica sozinha para viver…. Ela se acomoda em sua rotina, se esconde em suas tarefas, porque tem medo, medo de viver realmente.

Mas o inusitado acontece…. Na hora perigosa do dia, ela está no bonde voltando do mercado, quando vê um cego mascando chiclete. E isso a Desestabilizou. Ela tenta não olhar para o cego, mas o mal já estava feito.

Ana se assusta, derruba as compras, quebra os ovos e se desestabiliza. Ela é olhada, as pessoas riem dela, só porque teve uma atitude fora do convencional.

O que estava represado, todos anos de medo, se soltam quando ela vê o cego. Por que o cego? Porque ao olhar o outro, estou tentando olhar e entender a mim mesmo. Quem sou eu? Ana está sempre no automático (escuridão – cego) e mascando chiclete (algo impensado e ignorado). Ou seja, O automático na escuridão, são as mesmas tarefas e rotinas, sem reconhecimento da família, como ela mesmo diz.

Outra forma de interpretar… Ana viu no cego o que tinha sufocado a vida toda. A cegueira significa perda da razão, ida para outro plano, algo suprarreal. Já a tradição, o comum, ser dona de casa é a luz, seu universo atual, o que ela vê.

Ana erra o ponto e desce no Jardim Botânico. Ela desce sem rumo (na escuridão) e quando entra no Jardim há um momento de revelação. Vida Sumarenta, não uma vida cômoda, mas algo intenso e primitivo. Ela se conecta as plantas e aos animais. Ela sente a vida (intensamente).

Ana também sente nojo, náuseas, já que o corpo não aguenta, mas ela cresce como ser humano. Algo tão profundo que não dá para ter ideia: por isso metáforas paradoxais.

Ela perde a noção de tempo no jardim botânico, só se recorda da hora porque o pacote com os ovos quebrados e escorrendo incomodam. O pacote pode representar o lar, a rotina de dona de casa, as tarefas e ser mãe. O que fazer com ele?

Já é noite. O jardim fecha e Ana está lá dentro. Ela pede para sair e o guarda fica intrigado, não a viu antes de fechar o local. Isso pode representar sua conexão intensa com a vida real, as plantas e o jardim.

Por já ser noite ela volta para casa, e lembra-se: há um jantar em família. O cotidiano chama por Ana. Ao retornar ela abraça o filho muito fortemente (amor), o que desperta medo no menino e até o machuca (ódio). Mas mesmo assim ela faz o jantar.

Está tudo tranquilo? Aparentemente sim, mas ainda há o incômodo. O conto fala do calor, do suor que escorre de Ana. Mas na verdade algo dentro dela está incomodando-a.

O jantar ocorre normalmente, os convidados vão embora. A criança vai para a cama e Ana também. Quando Ana está no quarto ouve o que pensa ser o estouro do fogão (quebra do equilíbrio do lar), mas quando corre assustada na cozinha, encontra seu marido, que apenas derrubou o copo.

Tudo volta ao normal, ou não… Ana antes de dormir fica diante do espelho (sinônimo de autorreflexão) e apaga a vela. Como será o amanha de Ana? Ela será a mesma cheia de horários e compromissos, ou apagar a vela simboliza que ela apagou esses tempos e agora viverá intensamente? Cabe a você leitor refletir…

**Gostou do post e da análise do conto 'Amor' de Clarice Lisepctor? Então dê sua sugestão!!

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